1 de julho de 2008


O SEGREDO DO CUSCUZ (LA GRAINE ET LE MULET)

Para quem ande distraído, ainda está em sala o formidável filme de Abdellatif Kechiche. Não se sabe o que é melhor, se o argumento, se o trabalho de actores ou a realização.
Vale cada cêntimo , do bilhete.
Aqui podem ver o trailer.
DEVAGAR, DEVAGARINHO...

Por coincidência, nos últimos dias, tenho falado com várias pessoas conhecidas dos princípios da Programação Neurolinguística. Ouvem-me com atenção, mas ainda não acabei de falar já lhes leio no rosto as marcas da descrença. "Pá, não me convences". E argumentam com as rotinas, os argumentos que a escola lhes vendeu há muito tempo ou as defesas que os embates com as coisas lhes deram. Ainda não apareceram comentadores sérios, na televisão a dizer que sim, senhor. Por isso a Pnl não ainda não pode existir.
Há vários anos atrás, obtinha a mesma reacção quando falava de Inteligência Emocional ou da necessidade de um profissional desenvolver competências inter e intrapessoais, que lhe serviriam tanto no trabalho, como na sua actividade. Nessa altura, nada. Agora, anda tudo a inscrever-se em "formação comportamental".
Pensando bem, quando no início dos anos 90 defendia que toda a gente iria usar e-mail, por me parecer a mais óbvia das coisas, pela rapidez e facilidade de processo, só levava para casa reacções de troça.
E assim, por diante, quando olho a minha vida até lá atrás.
Isto, dantes, chateava-me. Que os outros não vissem o que me entrava pelos adentro. Não por ser mais esperto, mas pela e-v-i-d-ê-n-c-i-a. Agora, olha, que se lixe!
Com o tempo habituamo-nos, não a ir a pé com os outros (também era o que faltava!), mas a ir pensando para frente, enquanto pedalamos muito devagarinho ao lado do rebanho.
Fazer o quê?!

28 de junho de 2008

TOCARAM-ME À PORTA

eram duas senhoras, jovens, chinesas, carregadas com bíblias e panfletos.
"Estamos a investigar sobre o Deus-Mãe".
Ficaram um bocado chateadas quando lhes disse que o assunto não me interessava e fechei a porta.
Mais adaptada à circunstância se mostrou a minha vizinha de cima. As gargalhadas dela devem ter-se ouvido ao fundo da nossa rua.
Continuo a defender: morar num bairro popular de Lisboa, é surpreendente!

26 de junho de 2008

OS DIAS

Ia aqui escrever sobre os dias. Sobre a tentativa que quase todos fazemos de ser melhores pessoas, em cada manhã. Depois do tempo em que existíamos, simplesmente. Do seguinte em que atravessámos a fase magoada com a incompreensão do mundo a nosso respeito. E da seguinte, a do cinismo com as coisas. Volta-se, agora, atrás. Como se começássemos de novo mas sabendo que caminhámos sobre a beira de um abismo. E que é uma questão de tempo até que as ossadas que avistamos daqui nos recebam com um suspiro de alívio.

24 de junho de 2008

MARCHA DE ORGULHO GLBT

A gay parade portuguesa está de volta,dia 28 Junho, às 16h00 no Princípe Real. Aberta a todos os que acham ainda haver caminho a fazer pelos direitos dos cidadãos.
Sim, é capaz de ser mais exuberante do que muitos gostariam. E sim, os operadores de imagem das televisões só vão procurar aquilo que os seus preconceitos lhe indicam como "supergay". Porque é o que vende num país em que tudo está à venda. Mas ainda assim, faz sentido. Ainda mais quando a imprensa continua dominada por gente que se sente obrigada a dormir dentro do armário. Ou de homofóbicos que só revelam a sua opinão entre amigos, sendo o resto do tempo, gente "muito simpática", "tolerante" e que "tem muito orgulho em ter um amigo gay" (Ora e se estes fossem todos à merda com mania de que há gente de primeira e gente de segunda! digo eu...).
Bom, fica a indicação. Cada um saberá de si.

22 de junho de 2008

A REFORMA

Parece que há um ex-deputado do PSD, administrador da PT (o que é uma redundância, como se sabe) que acha pouco receber 17.900 euros de reforma por mês. Segundo o senhor não se comparava com os 27.000 euros que ganhava antes. Consta também que uma das suas últimas secretárias recebia quase 3.500 euros de salário bruto e o motorista 3.300 eur. Foi secretário de Estado de Cavaco Silva na época de maior despudor e novo-riquismo que este país já conheceu.
Penso de novo nas mulheres idosas a pedir esmola no metro porque a reforma não lhes dá para comer e só me vêm à cabeça formas bárbaras de punição a aplicar a um alarve destes...
E quando penso nos milhares de pessoas que têm os seus créditos e salários penhorados porque não têm 600 ou 800 euros para pagar irs em atraso, visualizo mesmo, um par de pés descalços, com as solas para cima e uma régua fina a descer em direcção à pele velha mas tratada...

18 de junho de 2008

OLHA: ELA ACORDOU!

Enquanto foi, por assim dizer, Ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima não fez rigorosamente nada. N.A.D.A. Obra ZERO. A única iniciativa com algum mérito que se lhe viu, foi logo no princípio apear a turma snob que regia o Teatro Nacional. Em termos de conceito, a coisa melhorou um bocadinho, depois disso. De resto, foi uma nódoa, igual a essa coisa de cabelo lambido, chamada S. Lopes.
Agora, depois de reformada é que lhe deu para ser activa. Lembrou-se até de escrever no jornal uma coisa óbvia para quem esteja atento, o facto de a Cinemateca Portuguesa estar nas mãos da família Bénard da Costa. E que o referido senhor não faz, nem sai de cima. Nomeadamente no que toca a permitir a outras cidades (leia-se o Porto, claro - se não se tratasse da cidade de onde é originária, não estou a ver a sra. Pires de Lima a mexer a desgrenhada vontade, como ficou amplamente provado no seu "mandato - melhor seria "mandado", no sentido de uma função atribuída a uma criança pela mãe, o Pai, no caso)mostrarem a história do cinema.
É óbvio que isto é verdade. Que a Cinemateca tem tido um comportamento de preguiça, rotina e falta de visão, gritante. Também me parece claro que a coisa não vai mudar em vida do referido senhor, que como se sabe considera, tal como os antecessores, o cargo vitalício. E é igualmente óbvio que o espólio da Cinemateca Portuguesa deve chegar (mesmo sob a forma de outros suportes) ao resto do país.
Foi pena que a Dona Isabel não se tenha lembrado disso no tempo em que ministeriava. Ou talvez se tenha apenas deixado amedrontar por algum avental mais ameaçador...

15 de junho de 2008

GOSTO DE JUNE MADRONA

CRESCER

Faço com que tudo me sirva de ajuda: uma frase lida de relance, um livro em que não reparava há algum tempo, o olhar para trás para os erros que cometi.
Nunca se chega a gigante por dentro, mas também não damos pelo crescimento das plantas e contudo elas chegam a alturas surpreendentes...

12 de junho de 2008

OS NOSSOS MENDIGOS

Com o passar dos anos, nas grandes cidades, fica-se indiferente à turba de pedintes. Quando sabemos que cegos e romenos se organizam em máfias para manter o exclusivo, endurece-se o coração.
Mas às vezes, quando vemos uma senhora "normal", vestida com roupas iguais às das mães daqueles que têm mães de classe média, e as vemos estender a mão e mendigar, quebra-se de novo a couraça. Já não é um mendigo que está ali, mas sim um dos nossos pais ou avós. E na sua desgraça reflectimo-nos todos.

11 de junho de 2008

COMEÇAMOS TODOS MUITO LÚCIDOS

a protestar da parvoíce do ânimo dos portugueses depender dos resultados do futebol.
Mas depois torna-se evidente que em época de crise, tudo o que sirva para dar alguma alegria às pessoas é válido.
Ora, que se dane: Portugal óéé!!

8 de junho de 2008

SOBRE O SENTIDO PATRIÓTICO

onze jogadores em campo, bandeiras chinesas na janela, e gritaria se a coisa corre bem.
Quanto ao aumento de produtividade, necessidade de fazer sacrifício ou governar a vida sem gasóleo subsidiado pelos contribuintes, nada.
Portugal julga ser o Ronaldo da Importância. Infelizmente, não passa de um clone da irmã, a artística Ronalda.

SOBRE A UTILIDADE DA CGTP

um número basta: 0 (zero)

4 de junho de 2008

AFINAL, AFINAL, ISTO NÃO ESTÁ NADA MAL!

Leio com alegria, no jornal, que Portugal tem a droga mais barata da Europa. Que o grama de cocaína andará pelos 40 euros. O que parece que é barato.
Opá, numa altura em que a comida se tornou impossível, não se consegue pagar as rendas de casa nem os impostos (e multas) em atraso, só esta notícia poderia alegrar os portugueses.
É que mesmo sem experiência, deduzo que ao enfiar aquilo narinas acima a malta até se deve esquecer do país onde vive!

ps: é com a mesma alegria que vejo que os primeiros dias do Rock In Rio registaram mais de 200.000 espectadores. Mesmo com os pais em aflição, os nossos jovens não se privam. É assim mesmo!

ps2: depreendo que a principal razão da presença da Amy Whitehouse tenha sido a barateza do nosso custo de... droga. Ou então, foi mais nobre e veio homenagear a qualidade dos enólogos portugueses. Bem vinda à Matrix, em qualquer dos casos.

2 de junho de 2008

AO RELER...
textos antigos, escritos com mais paixão do que sabedoria, fico contente por algumas portas se terem mantido fechadas para mim.
De que me serviria esbracejar num salão recheado de cristais antigos?
FUTE-TV

A televisão pública portuguesa é uma maravilha. A forma como cobre cada incidente futebolístico, cada estado de espírito de qualquer jogador deste a selecção nacional às ligas regionais, cada novo equipamento, a relva nova de um estádio, ou a opinião dos cidadãos mais afastados da capital a propósito dos lances mais banais... é um hino ao que deve ser um serviço público de televisão.
Se não fosse pela obrigação social de sustentar milhares de funcionários, a RTP já teria os 400 milhões de euros justificados, apenas por este interesse pelo futebol.
A única coisa que sugeria é que em vez de um director de programas contratassem... um "mister".

29 de maio de 2008

VOLUNTARIADO

Há sempre tempo quando se percebe que o tempo é um espaço que cavamos por dentro de nós.
DIGRESSÕES

Amanhã estarei na Escola Secundária de Santiago do Cacém. Palestra, de manhã, e sessão de Escrita Criativa ao início da tarde.
Confrontar os alunos do secundário que conhecem o meu trabalho dos livros de estudo com a frase "Já não há heróis". Ou, como diria Caetano Veloso, "Ou talvez não..."

23 de maio de 2008


HELP!



Ao longo dos últimos meses deixei acumular uma tal pilha de papéis de natureza vária sobre a minha mesa que se torna necessário ter muita coragem para a atacar.
Na verdade, enquanto escrevo isto, descubro que vivem formigas lá debaixo... Das duas, uma: ou a minha escrita adoçou ou andam mais coisas lá para o fundo do que papéis.